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22/09/2026O próximo campeão europeu do software fiscal e de recursos humanos, que será criado com a fusão entre as tecnológicas Cegid e Silae, vai ser uma “oportunidade relevante” para o departamento financeiro das empresas e para os escritórios de contabilidade em Portugal. O diretor-geral da Cegid na Península Ibéria, América Latina e África, Javier Torres, disse ao ECO que o acordo será importante para a futura proposta de valor para os clientes.
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O diretor ibérico da Cegid — multinacional francesa que adquiriu a PHC Software em 2025 — explica que a Cegid e a Silae têm competências complementares nas áreas da contabilidade, fiscalidade, compliance, processamento salarial e gestão de trabalhadores, portanto criar-se-á uma plataforma digital mais completa em termos de funcionalidades.
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“O processo de integração incluirá uma análise de como esse portefólio combinado pode, a médio prazo, traduzir-se numa resposta mais integrada às necessidades das empresas portuguesas. O objetivo passa por integrar as ofertas existentes numa plataforma unificada, permitindo que os clientes de ambas as empresas beneficiem de soluções complementares e de uma experiência mais integrada”, disse o gestor espanhol, após o anúncio da operação, que deve ficar concluída no primeiro semestre de 2027.
A francesa Cegid e a compatriota Silae chegaram a um acordo de fusão para criar uma megatecnológica de contabilidade e processamento salarial que valerá mais de dez mil milhões de euros (cerca de 8,6 mil milhões de euros em enterprise value) e completará tarefas de contabilidade, fiscalidade, finanças e processamento salarial de dois milhões de clientes e mais de 15 mil escritórios de contabilidade, emitindo mensalmente cerca de 15 milhões de recibos de vencimento na Europa.
“A dimensão combinada das duas organizações reforçará significativamente a capacidade de investimento em investigação e desenvolvimento, onde Portugal tem um papel central na nossa organização, principalmente numa altura em que a inteligência artificial [IA] está a transformar o setor tecnológico e teremos uma das maiores equipas de desenvolvimento de software da Europa”, defendeu Javier Torres.
Questionado sobre se haverá reestruturações na força laboral, no âmbito deste negócio, o diretor-geral da Cegid na Península Ibéria, América Latina e África recusou responder, garantindo apenas que os detalhes da organização que nascerá deste acordo, que em teoria reúne 6.500 trabalhadores, “serão definidos numa fase posterior”. Para o futuro ficaram também esclarecimentos sobre uma eventual mudança de nome e a entrada em novos mercados externos.
Portugal, África lusófona, Espanha, Alemanha, França, Benelux e América Latina são mercados estratégicos para a Cegid e continuarão a estar no centro das nossas prioridades. Caso o projeto de fusão seja concluído, a nova oferta será progressivamente integrada nestes mercados.
A fusão entre a Cegid e a Silae está a ser vista como uma forma de evitar o fenómeno designado como SaaSpocalypse. Ou seja, o termo que descreve o medo de que os desenvolvimentos dos modelos de IA substituam a indústria do Software-as-a-Service (SaaS), que nas últimas décadas se impôs como alternativa à instalação de programas informáticos. O líder da Cegid em Portugal e Espanha recusa associações a movimentos específicos de mercado e prefere caracterizar o negócio bilionário como “um passo estratégico para acelerar a nossa ambição de construir um líder tecnológico europeu”.
“O racional desta fusão assenta sobretudo na forte complementaridade entre a Cegid e a Silae, quer ao nível da presença de mercado, quer das competências e dos portefólios de soluções que cada empresa aporta. Ao unir esforços, passaremos a dispor de uma escala superior para investir em investigação e desenvolvimento, num momento particularmente importante para a indústria tecnológica, marcado pela rápida evolução da IA”, conclui Javier Torres.
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