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27/10/2026A partir do próximo ano está prevista a entrada em vigor de uma reforma dos impostos sobre o consumo no Brasil que introduz uma taxa no preço das passagens aéreas que chegará aos 26,5% em 2033. Associações do setor dizem que pode provocar uma queda significativa na procura de viagens naquele que é o principal mercado externo da TAP.
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As alterações foram aprovadas pelo Congresso em 2023 com o objetivo de simplificar o sistema fiscal, substituindo de forma progressiva vários impostos por um sistema dual de imposto sobre o valor acrescentado (IVA). No caso das passagens aéreas, a tributação efetiva passa de 9% para 26,5%. O calendário prevê o arranque do sistema em 2027, com adoção progressiva até 2033.
Segundo um estudo da Associação Latino-Americana e do Caribe de Transporte Aéreo (ALTA) divulgado o mês passado, a aplicação da taxa de referência de 26,5% aos bilhetes de avião no Brasil poderá encarecer as viagens domésticas em 16,1% e as internacionais em 13,3%, reduzindo a procura em 21,1% e 17,8%, respetivamente. No total, a associação estima menos 20 milhões de viagens domésticas por ano e menos cinco milhões de viagens internacionais.
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Uma análise divulgada em fevereiro de 2025 pela Associação Internacional do Transporte Aéreo (IATA, na sigla inglesa) apontava para um impacto ainda mais severo. “Estima-se que o aumento dos preços dos bilhetes reduza a procura em aproximadamente 21% a 29%, o que se traduzirá em menos 2,4 a 3,2 milhões de passageiros internacionais”, refere o briefing paper.
Caso o agravamento do imposto venha mesmo a acontecer, poderá afetar o negócio da TAP no Brasil, país que é o principal mercado externo da companhia portuguesa e constituiu o grande atrativo da privatização de 49,9%, ganha pela Lufthansa.
Se o Brasil pensa que pode impor uma tarifa de 26% e sair impune, a resposta é que a reação dos outros países será enorme. O Brasil tem muito a ganhar se não tributar os turistas. Há espaço para todos crescerem… Espero que [a tarifa] nunca venha a concretizar-se.
O próprio presidente executivo da TAP expressou preocupação com o impacto da nova taxa numa conferência da ALTA que teve lugar a semana passada na Cidade do México. “Ficámos muito surpreendidos quando esta discussão começou no Brasil, porque o Brasil tem um enorme potencial de crescimento”, afirmou luís Rodrigues, citado pela Aviation Week. “Se o Brasil pensa que pode impor uma tarifa de 26% e sair impune, a resposta é que a reação dos outros países será enorme. O Brasil tem muito a ganhar se não tributar os turistas. Há espaço para todos crescerem… Espero que [a tarifa] nunca venha a concretizar-se”, acrescentou.
Em 2025, a América do Sul absorveu 34% da oferta total de lugares da companhia área portuguesa, sendo que a quase totalidade diz respeito ao Brasil, onde voa para 15 cidades. O único outro destino no continente é Caracas, na Venezuela.
A força da TAP nas ligações entre a Europa e o Brasil foi o principal atrativo da privatização em que a Lufthansa bateu a proposta da Air France-KLM com uma oferta total de 1.201 milhões de euros. A transportadora aérea portuguesa tem uma quota de 23,1% na oferta de lugares nos voos entre a Europa e o Brasil para o inverno IATA, que vai de outubro a março, ligeiramente abaixo da LATAM, com 24,6%. Com a integração da TAP, a quota do grupo alemão sobe para 36%, ao somar os 5,5% da ITA, os 5,4% da Lufthansa e os 2% da Swiss.
No mesmo evento na cidade do México, Luís Rodrigues afirmou esperar um processo “muito complexo” de aprovação regulatória da operação de aquisição da participação minoritária pela Lufthansa e que feito um exame “rota a rota”. “[A Lufthansa] foi uma ótima escolha, mas agora temos de asseguras a execução”, disse citado pela Aviation Week.
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